Pai de vítima atropelada por ambulância em Goiânia questiona o resultado da investigação
Família afirma que responsabilidade pela morte está sendo injustamente dividida

O pai de Renato Felipe da Silva Sérgio, vítima de atropelamento por uma ambulância do Corpo de Bombeiros de Goiás (CBMGO) que estava fora de serviço, demonstrou indignação com a conclusão das investigações. O incidente aconteceu em novembro de 2023, quando a vítima que tinha 33 anos, seguia para o trabalho, ele foi atingido pela viatura por volta das 9h quando atravessava uma avenida no Setor Central em Goiânia.
Em entrevista ao Mais Goiás, Dilson de Almeida Sérgio afirmou que a responsabilidade pela morte de seu filho está sendo injustamente dividida, quando, para ele, o motorista da viatura deveria ser o único responsável.
“Recebi essa conclusão com indignação e uma sensação de injustiça profunda. Meu filho era um trabalhador, um homem de bem, que apenas cumpria sua rotina e confiava que as leis de trânsito garantiriam sua segurança”, disse Dilson. Ele também afirmou que o inquérito constatou que a ambulância trafegava sem os sinais de alerta ligados e acima da velocidade permitida. “É óbvio que, se o Renato tivesse escutado a sirene, teria recuado ou decidido não atravessar, o que teria evitado o acidente”.
Dilson acredita que a investigação falhou ao tentar responsabilizar Renato pelo ocorrido. “Se houvesse fiscalização rigorosa sobre o uso desses veículos, essa tragédia poderia ter sido evitada. Mas, em vez de reconhecer a falha do Estado, tentam culpar meu filho”, afirmou.
A família revelou que já iniciou medidas legais para responsabilizar o Estado. “A viatura não estava em emergência, não tinha os sinais luminosos e sonoros ligados. Isso não foi um simples acidente. Foi o resultado de uma falha grave na fiscalização”, explicou.
O pai da vítima também criticou a atuação das autoridades e a falta de controle no uso dos veículos oficiais. “O Corpo de Bombeiros tem a missão de proteger vidas, mas, nesse caso, o que vimos foi falta de controle e fiscalização”, disse.
O pai destacou que a morte de seu filho não pode ser tratada como mais um caso esquecido. “Meu filho tinha uma vida inteira pela frente, e foi o descaso que tirou isso dele”, concluiu.
“O Estado falhou”, diz pai
Renato atravessava a avenida Anhanguera com sua bicicleta quando foi atropelado pela viatura que estava sendo conduzida pelo segundo sargento dos bombeiros, João Carlos de Sousa Almeida, sem que a sirene e giroflex estivem acionados, e sem estar em serviço de emergência.
A investigação concluiu que o motorista da viatura trafegava em desacordo com o Código de Trânsito Brasileiro, utilizando a faixa exclusiva de ônibus e em alta velocidade. No caso de Renato, a investigação apontou que ele contribuiu para o acidente ao atravessar a via com o semáforo aberto para carros e por estar em cima da bicicleta, quando deveria empurrá-la.
O Ministério Público denunciou o motorista da ambulância por homicídio culposo. A família de Renato entrou com um processo contra o Estado, buscando responsabilização pelas falhas no controle e fiscalização.
O Mais Goiás não conseguiu entrar em contato com o segundo sargento João Carlos, nem localizou sua defesa até o momento. O espaço segue aberto para esclarecimentos.