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Apresentado no Atlético-MG, Cuca fala sobre condenação por sexo com menor em 1987: ‘Hoje eu consigo ver os meus defeitos’

Caso foi extinto pela Justiça suíça no ano passado

Apresentação Cuca
Foto: Pedro Souza / Atlético

(POR AGÊNCIA O GLOBO)O técnico Cuca iniciou sua entrevista coletiva de apresentação no Atlético-MG falando sobre o caso de Berna, quando ele e outros três então jogadores do Grêmio foram condenados por fazerem sexo com uma menor de idade durante excursão na Suíça em 1987. Sem nunca ter cumprido a pena, o treinador conseguiu anular esta decisão no ano passado. Mas, desde então, só havia se expressado por meio de comunicados e um texto lido por ele quando treinava o Athletico.

– Eu, quando li aquela carta no Athlético, me prontifiquei dentro de mim a tentar ser uma pessoa melhor, a ser um homem melhor e eu confesso para vocês que tenho aprendido muita coisa com muita gente, escutado muita gente, escutado minha família, minha família é quase toda feminina – iniciou Cuca, prosseguindo:

– Demorei tanto tempo para falar daquele tema, e hoje eu abro falando dele. É porque hoje eu consigo falar, eu consigo ver os meus defeitos, eu consigo entender que eu tentava falar do Cuca, explicar o Cuca. E não era isso que a sociedade queria, a sociedade queria saber do tema, da causa, do que eu como homem podia fazer pela causa, pelo tema.

O treinador, que em 2023 se demitiu do Corinthians depois de apenas dois jogos devido à pressão popular, teve o processo anulado após os advogados contratados por ele solicitarem a reabertura do caso na Justiça suíça. A alegação foi de que o então jogador fora julgado à revelia, sem representação legal. Os autos do despacho da juíza mostram problemas na comunicação entre o advogado de defesa (Peter Stauffer, contratado pelo Grêmio) e Cuca. O defensor se retirou do caso um ano antes do julgamento, em 1989.

O pedido chegou a ser aceito pela Justiça do país. Mas, instado a se manifestar, o Ministério Público local alegou a prescrição do crime e sugeriu anulação da pena e a extinção do caso, o que foi acatado pela justiça. Importante frisar que o mérito, julgado em 1989, não foi reavaliado. Logo, não se trata de uma mudança no veredito inicial, mas, sim, de uma extinção daquele processo. De acordo com os autos, a garota de 13 anos alvo dos jogadores na época não é mais viva hoje em dia.

– Tenho trabalhado incessantemente desde aquele dia (da leitura da carta no Athletico) em busca de ser uma pessoa melhor, de ser uma pessoa que entenda mais o tema. Não só pelas minhas filhas, pelas minhas netas, pela minha mãe, pela minha irmã, mas pelas mulheres, pelo respeito que as mulheres têm e merecem, pela igualdade que a gente busca e eu estou aliado a isso – continuou o técnico.

Cuca não entrou em detalhes sobre o que tem feito desde então. Mas refletiu sobre o machismo no futebol e reconheceu que, embora tenha havido avanços em relação ao passado, ele ainda é forte no esporte.

– A gente vive muito num mundo machista, o futebol ainda é um mundo machista. Hoje, se a gente olhar o auditório aqui, ele tem 70%, 80% de masculino. Mas já foi pior, um tempo atrás foi muito pior – refletiu o técnico, completando:

– Hoje, olhando o treino das meninas, eu vi o quanto que evoluiu o futebol feminino, coisa que eu não conseguia ver antes. Vi o quanto as meninas têm que lutar mais do que a gente, o homem, para poder vencer. A começar pelo horário, elas começam o treino às 7h30, tem que acordar às 6h30, às 5h da manhã, estar às 6h30 no campo para tomar um café e depois vir para o treino. E essas coisas eu prometi, e tenho feito, dentro do possível, com ações, no meu instituto, onde eu tenho três núcleos em Curitiba e quero transportar aqui para o Galo, que tem também o Instituto Galo