POLÊMICO

Romero diz que Brasil é o país com mais racismo e que sofre discriminação diariamente

As declarações aconteceram durante entrevista do atacante do Corinthians à rádio ABC Cardinal, do Paraguai

Romero, atacante do Corinthians
Foto: Diego Soares/Ag.Paulistão

Campeão paulista com o Corinthians, na última quinta-feira (27/03), o atacante Ángel Romero disse, nesta sexta-feira (28/03), que o Brasil “é o país com mais racismo” e que sofre discriminações todos os dias. As declarações aconteceram durante entrevista à rádio ABC Cardinal, do Paraguai, seu país natal.

Nas últimas semanas, o tema “discriminação racial” ganhou bastante destaque em território paraguaio por conta do caso envolvendo o atacante Luighi, do time sub-20 do Palmeiras. Durante um jogo da Libertadores da categoria, o brasileiro foi vítima de racismo por parte da torcida do Cerro Porteño.

Segundo Romero, os brasileiros são muito racistas, inclusive entre eles mesmo. Na visão do paraguaio, o Brasil “tem que arrumar o problema que tem internamente e depois ver o que acontece fora”, pois o país se preocupa mais com o que acontece em outros países.

“Aqui é o país com mais racismo. Sempre digo isso, comento isso aqui. Creio que o Brasil tem que consertar primeiro as coisas internamente. Obviamente, eles se preocupam mais com o que acontece fora, Paraguai, Espanha, em todos os lados. Claro que não é bom sofrer esse tipo de discriminação, de racismo, mas aqui, internamente, os brasileiros são muito racistas também entre eles. Creio que primeiro eles têm que arrumar o problema que têm internamente e depois ver o que acontece fora”, disse Romero, à rádio “ABC Cardinal”.

“Eu vivo isso diariamente, discriminação, preconceitos, todos os tipos de insulto contra meu país, minha nacionalidade. Uma vez comentei isso numa entrevista coletiva. É algo diário. Eu tenho muito orgulho de onde veio. Se me chamam de índio, eu tenho orgulho de ser paraguaio, ser índio, ter essa raça Guarani. Creio que passa por esse motivo. Sempre que me insultam, eu me sinto lisonjeado porque é de onde venho, sou paraguaio, sou dessa raça, não chega a ser um insulto para mim. É complicado esse tema, vem de antes, não podem brigar contra isso aqui internamente. Como disse, diariamente aqui se vê muito racismo. Tudo isso se complica quando eles saem pra fora. Obviamente, isso não é bom, é crime, mas eles têm que internamente arrumar isso e depois ver o que acontece fora”, finalizou Romero.

Esta não é a primeira vez que Romero comenta algo do tipo. Em 2018, o paraguaio reclamou dos ataques xenofóbicos sofridos por ele. Na época, um radialista criticou o jogador dizendo que o Paraguai é uma “aldeia indígena” e que “movimentava a economia através de tráfico de drogas e contrabando de armas.”

“Eu, supostamente, ofendi a um clube, o Santos. E vocês, na maioria, insultam um país, que é diferente. Uma nação. E não é de agora. Faz quatro anos que estou aqui, e sinto que não só aqui no Corinthians se vê essa situação. Não só com Kazim, Balbuena e Romero. Mas com os estrangeiros que vêm jogar no Brasil”, comentou Romero, em 2018.