Espanha decreta toque de recolher nacional para conter Covid-19
País tenta frear nova onda de contágio após passar de 1 milhão de casos da doença
O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, decretou neste domingo um estado de alarme que irá amparar a aplicação de um toque de recolher em todo o país, na tentativa de frear a nova onda de coronavírus.
Segundo o decreto do estado de alarme, o Executivo irá impor um toque de recolher noturno entre 23h e 6h em todo o país, com exceção das Ilhas Canárias.
— O estado de alarme é uma ferramenta constitucional para situações extremas e a situação que vivemos é extrema — disse Sánchez, num discurso transmitido pela televisão, após se reunir de maneira extraordinária com seu conselho de ministros.
Nesta reunião, convocada urgentemente na véspera, o governo aprovou a aplicação de um estado de alarme durante 15 dias, mas com a intenção de pedir ao Congresso que prorrogue a medida até o início de maio de 2021, segundo explicou o chefe de governo.
A coalizão de esquerda de Sánchez é minoritária no Parlamento. Por isso, o primeiro-ministro necessita do apoio de partidos nacionalistas bascos e catalães, e uma aliança com o Cidadãos, partido que representa a centro-direita do país, para aprovar a prorrogação do estado de alarme.
Um número crescente de regiões do país tem pedido que o governo implemente a medida. A Espanha impôs umas das quarentenas mais severas no início da pandemia e depois relaxou as medidas ao longo do verão no Hemisfério Norte. O número de casos voltou a subir em agosto, o que é atribuído principalmente às aglomerações noturnas em bares e festas.
Além da Espanha, vários países da Europa, como a França e a Itália, vem implementando toques de recolher noturnos. A intenção é conter a segunda onda da Covid-19 coibindo as atividades de recreação e lazer, sem no entanto paralisar as atividades econômicas e as escolas.
Como em muitos outros países da Europa, a Espanha tem vivido uma segunda onda nas últimas semanas e agora tem os maiores números de infecções da Europa Ocidental. O total de casos subiu para 1.046.132 na sexta-feira, enquanto o número de mortos se aproxima de 35 mil.