REAÇÃO

Mabel critica parecer do MP sobre adoção da taxa do lixo em Goiânia

"Essas informações estamos sabendo hoje, porque isso não veio no texto", rebate vereadora

Conta vai aumentar de R$ 250 mi para R$ 1 bi, diz Mabel sobre parecer de MP da Taxa do Lixo

Com Domingos Ketelbey

O prefeito de Goiânia, Sandro Mabel (União Brasil), diz que, se seguir o parecer do Ministério Público de Goiás (MPGO) pela suspensão de dispositivos essenciais da Lei Municipal nº 11.304/2024, que institui a Taxa de Limpeza Pública em Goiânia, conhecida como Taxa do Lixo, a conta vai aumentar de R$ 250 milhões para R$ 1 bilhão aos goianienses. O documento assinado pela subprocuradora-geral e Justiça para Assuntos Jurídicos é do último dia 20 de março e foi motivado por Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) movida pelo PSDB-GO, por meio da vereadora Aava Santiago (PSDB).

“Eu achei a manifestação do Ministério Público muito alinhada com o que a vereadora falou. Na verdade, colocou alguns pontos que não são verdadeiros e eu posso seguir… Mas a conta vai aumentar de R$ 250 milhões para R$ 1 bilhão. Que tem de cobrar da população, mas eu acho R$ 1 bilhão um absurdo para gastar com lixo. Então, eu não estou cobrando o que a lei me manda cobrar.”

Mabel diz que tentará defender a posição da prefeitura, pois é “sensata”. Ele afirma não querer repassar para o contribuinte “toda a ineficiência da máquina pública”. Ele afirma, ainda, que se a conta de R$ 1 bi vier, será culpa da vereadora Aava, que rebateu: “Essas informações [de que, sem a taxa do lixo, a população pagará um valor exorbitante] estamos sabendo hoje, porque isso não veio no texto.”

Ainda segundo ela, o pedido foi pela suspensão da taxa para que a prefeitura coloque os estudos técnicos que justifiquem a discrepância da medida. “Que um goianiense vai pagar R$ 250 e outro até R$ 1,6 mil. Quais são os critérios escolhidos pela prefeitura para isso? O projeto não tinha uma página de anexo. Não sabemos a base de cálculo, como será a cobrança e nem a garantia de que esses valores serão utilizados exclusivamente para a limpeza urbana.”

Parecer do MP sobre a Taxa do Lixo

Segundo o MP, há falhas graves no processo legislativo e na fundamentação da taxa, o que compromete sua validade. O órgão cita a falta de estudos técnicos que justifiquem os valores cobrados, a ausência de transparência na definição dos critérios e a desproporcionalidade entre o valor da taxa e o custo real do serviço prestado. Confira as irregularidades apontadas:

  • Ausência de estudos técnicos que comprovem a necessidade dos valores e critérios estabelecidos;
  • Processo legislativo acelerado, com a aprovação da lei em apenas um mês após o parecer jurídico, sem amplo debate;
  • Falta de transparência e participação popular na definição dos critérios de cobrança;
  • Violação da natureza jurídica das taxas, já que o valor cobrado não está diretamente relacionado ao custo do serviço;
  • Delegação indevida de competências tributárias ao Poder Executivo, permitindo alterações sem necessidade de nova aprovação legislativa.

E o MP ainda sugere suspender trechos da legislação da proposta. Entre eles, aqueles que determinam valores, cálculos e formas de cobrança da taxa.

  • Artigo 5º, §4º – Define valores mínimos (R$ 258,00) e máximo (R$ 1.600,08) sem embasamento técnico adequado;
  • Artigo 5º, §6º – Permite a cobrança por estimativa, sem critérios claros ou objetivos;
  • Artigo 5º, §9º e incisos – Estabelece fatores de variação que podem elevar a taxa em até 600% sem justificativa técnica;
  • Artigo 6º e incisos – Cria uma fórmula de cálculo desvinculada do custo real do serviço;
  • Artigo 14 – Autoriza o Município a conceder descontos de até 75% via decreto, sem previsão em lei específica, o que viola princípios constitucionais.

Caberá, ainda, ao Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO) seguir ou não a recomendação. Se o fizer, a cobrança da taxa do lixo nos moldes atuais se tornará inviável. Assim, a prefeitura vai ser obrigada a reformular a lei e apresentar estudos técnicos que sustentem os valores e garantam mais transparência e proporcionalidade na cobrança, conforme a vereadora Aava Santiago (PSDB), autora do projeto. Ela comemorou a manifestação da Procuradoria-Geral de Justiça.

“Desde o início, denunciamos que a Taxa de Limpeza Pública foi aprovada sem a devida transparência, sem estudos técnicos adequados e sem respeitar os princípios básicos da tributação. Agora, o Ministério Público confirma essas irregularidades. Essa é uma vitória da justiça tributária e da população de Goiânia, que não pode ser penalizada com cobranças abusivas e desproporcionais”, disse.